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Atualizado em 29-10-2019 às 17:00:11

Brasil está entre líderes da impunidade para assassinos de jornalistas

 


"Desde 1992, o CPJ - Committee to Protect Journalists - faz um levantamento internacional sobre assassinatos de jornalistas no exercício da profissão ou por causa dele e rankeia os países de acordo com o nível de impunidade para este crime. Pelo 10o ano consecutivo o Brasil está no topo da lista e ganhou algumas posições este ano, deixando para trás países como Afeganistão, Bangladesh, Rússia, Sudão do Sul e Nigéria. No ano passado, o Brasil aparecia atrás deles.

A maioria dos países que chegam a esse ranking está na África, Ásia ou Oriente Médio e tem uma realidade de ditadura, guerra, invasão de grupos terroristas ou uma mistura de tudo isso. Somente dois países estão fora desse modelo: Brasil e México, ambos com um problema de criminalidade organizada que já saiu do controle das autoridades e que há algum tempo dá mostras de ter se infiltrado no poder."

"Mesmo tendo subido este ano no ranking de impunidade para assassinatos de jornalistas, o CPJ considera que a situação do Brasil tem melhorado nos últimos 17 anos, desde quando se passou a fazer esse tipo de apuração. Atualmente, ocupamos o 9o lugar no número de casos não resolvidos, mas o número de mortes vem caindo, após um pico no ano de 2015."

"O CPJ tem uma lista de todos os 40 casos de homicídios de jornalistas brasileiros em decorrência da profissão que não foram resolvidos desde o ano de 1992. Somente 2 deles trabalhavam em grandes empresas e em capitais, 38 eram de jornais ou rádios regionais, no interior dos Estados.

O primeiro caso em capital é Tim Lopes. Ficou conhecidíssimo do público e levou à prisão do traficante Elias Maluco, mandante do crime. Ele está há 17 anos preso, mas a punição por assassinato ainda não transitou em julgado - aliás, quase foi solto este mês por falta de prosseguimento da acusação nos diversos processos que responde.

O outro caso, que ainda permanece sem solução, é do meu amigo querido, o fotógrafo da Revista Época Luiz Antonio da Costa, o LACosta, assassinado durante a cobertura de uma invasão do MTST. Eu presenciei a morte pela televisão, ao vivo. O esclarecimento só foi possível graças a outro colega, o fotógrafo do extingo Agora São Paulo André Porto. Somente dois envolvidos no crime foram presos. Eles disseram à polícia temer que LACosta tivesse as fotos do assalto a um posto de gasolina que eles fizeram perto da invasão.

Os dois últimos assassinatos registrados foram de radialistas. Jefferson Pureza Lopez trabalhava na Rádio Beira Rio FM, em uma cidadezinha de 4 mil habitantes, Edealina, interior de Goiás. Era crítico da corrupção municipal e sofria ameaças de morte. Foi executado por dois motoqueiros armados enquanto via televisão em casa. Jairo Souza investigava crime organizado, tráfico de drogas e corrupção em Bragança, interior do Pará. Foi alvejado pelas costas quando chegava para trabalhar, às 5 da manhã, na Rádio Pérola FM. Ainda conseguiu subir até o primeiro andar e chamar os colegas, mas não resistiu."

"A corrupção não toma de assalto os mais altos níveis de um governo ou de um país, é doença silenciosa, que começa pequenina. Os jornalistas que investigam e denunciam corrupção, crime organizado e a relação entre os dois sabem que correm riscos. Os que se dedicam a essa cobertura no âmbito municipal estão desprotegidos e a maioria de suas mortes sequer é noticiada. Sem cobranças por esclarecimentos, a corrupção está matando de goleada."

FONTE: GAZETA DO POVO



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